O PACTO

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Tenho dificuldades no meu namoro. Não daquelas que vocês tem. As minhas são piores. Ainda estou naquela fase do namoro de descobrir as coisas. E preciso descobrir qual o pacto que minha namorada fez com Exu, com a Cuca ou com o Coisa Ruim himself…
Desde o começo do namoro eu devo ter pego mais de 30 vôos. Em nenhum deles sentou-se uma mulher razoavelmente bonita ao meu lado. As estatísticas são: 90% foram homens muito gordos que apoiavam o braço muito gordo do meu lado da poltrona. Quando resolvi comprar o assento conforto, sentei-me na 1A. Essa história caberia em um novo post, porque mesmo sentando na 1A eu fui obrigado a embarcar pela porta de trás da aeronave. Tudo bem. Até descobrir o motivo do embarque traseiro. A porta da frente estava sendo arrumada pra entrada de uma velha enorme de gorda, que deve ter tido 875 AVCs simultâneos, que não tinha um parente com dignidade pra acompanhá-la no vôo. A velha nao conseguir andar, eu aguento. Mas a velha não conseguia SENTAR! Eu sobrevoei Minas e São Paulo escorando a véia, que em agradecimento babava em mim.
Mas hoje me senti na necessidade de expor que minha namorada está no lado negro da força. Só isso explica o acontecido. Vejam só.
Como vocês tem acompanhado, estou me esforçando na academia. Malhando, pegando peso. Tudo isso, PRA ELA. Pra ficar bonito, PRA ELA. E ela me roga uma praga dessas…
No horário em que eu malho, a academia está bem vazia. Meia dúzia de pessoas. Eu, dois magrelos, um gay me olhando, uma tia que finge que malha. Sacaram o ambiente? Zero gostosas, ZERO! Nesse horário os instrutores TRABALHAM, acreditem!
Eis que hoje surgiu uma gostosa. Daquelas que pegam muito mais peso nos braços do que eu nas pernas. E veio se alongar ao meu lado. São duas grades de alongamento. Uma do lado da outra. EU fazia abdominal na bola de Pilates em uma. Ela se alongava (ai, ai!) na outra. Eu me esforçava pra fazer o quinto abdominal e dizia em voz baixinha – Sessenta e sete, sessenta e oito… E no momento que me estiquei pra subir e fazer o exercício, PLOFT! Caí da bola. SIM, eu caí da bola de pilates. E não foi uma queda discreta. Foi lenta e gradual. Durante a queda eu tive aquela sensação de que eu conseguiria me equilibrar, que eu daria conta. Vai, Fabiano, volta pro eixo! PLOFT! Daquelas quedas que a gente vê o filme da vida passar na cabeça. Meu pé ainda estava preso na barra, o que fez do meu tombo, além de dolorido, cinematográfico.
Eu preferi diminuir o sofrimento da minha alma não olhando a cara de riso contido da gostosa. Saí calmamente, me troquei no vestiário e vim pra casa. A dignidade ficou por lá mesmo.
O que mais me irrita é saber que a minha namorada vai pra academia e se alonga ao lado de caras com o abdomem rasgado. E que dizem em voz alta: – duzentos e sessenta e seis, duzentos e sessenta e sete! E não estão mentindo…

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Sr. Papai Noel

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Sr. Papai Noel,
Eu fui um bom menino. Comi tudo, respeitei Papai e Mamãe e ajudei meus coleguinhas. O Senhor sempre foi generoso comigo, mesmo nos tempos mais difíceis.
Nunca me esqueci do Autorama que o senhor me deu. Nem do Ferrorama XP600. Nem do hominho do Chip´s.
Esse ano eu queria agradecer o presente que o senhor mandou um pouquinho mais cedo. Mas to te escrevendo pra o senhor saber que vou tratar esse presente tão bem como fiz com os outros. O Senhor sabe que tenho meus brinquedos até hoje, né? E que ainda brinco com meus sobrinhos usando todos. Quero que o senhor saiba que vou me divertir muito com o novo presente e nunca vou deixar quebrar. Emprestar pro coleguinha então, nem pensar!! Desculpa se pareci egoísta.
Eu queria agradecer porque o senhor mandou um modelo melhor do que o que eu tinha pedido.
Foi como quando eu pedi um ferrorama qualquer e o senhor me deu o XP600…era o melhor de todos. Melhor do que eu poderia sonhar. Pois é…de novo…seu fanfarrão!!
Papai Noel, sei que o senhor deve estar ocupadão esses dias. Mas posso te pedir uma coisinha a toa? Existe um acessório pro meu presente, e que é bem difícil de encontrar no mercado. Se chama Patience Bag (sempre em inglês, tá ligado né Santa?!). Que ironia o senhor tirando um saco do saco hein, hein?! Mas é um saquinho repleto de paciência, que vem acoplado no presente. Que é pro presente nunca se cansar de mim também. Eu prometo que continuo sendo um bom menino.
E acho que o meu presente tb mandou uma carta pro senhor, né? Seria muita indiscrição o senhor me contar o que ela..ops…o que o meu presente pediu?
É que queria dar um presente pro meu presente. E eu não sou como o senhor que é cheio de imaginação – e principalmente de doendes – pra fabricar um presente.
Pensei em dar um vestido, mas não sei costurar. Daí que to pensando em dar um brinquedo pro meu presente. Ou uma música. É que o senhor precisa ver como meu presente fica lindo quando sorri.
O Autorama e o Ferrorama estão velhos. Mas o senhor tem que ver como funcionam. E tem que ver como fico feliz por ainda te-los. Eu quero isso com meu novo presente, tá? Quero ficar velhinho como o senhor (aliás, o Senhor não envelhece mais? desde que eu tinha 4 anos o senhor tá com a mesma cara. Que benção, ne?!) e passar os natais junto com meu novo presente.
Agora vou deixar o senhor em paz, pra descansar que o dia tá chegando, né! Saiba que serei sempre muito agradecido ao senhor pelos meus presentes. Ela, o Autorama e o Ferrorama!!

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POEMA “O REI”…

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O REI

Eu tinha só doze anos quando o senhor me deixou

Me pegou desprevenido,
E assustando o meu ouvido, essa notícia chegou

O senhor tinha morrido, e eu mal lhe conhecido.
todo mundo aqui chorou

O senhor nem me conhece, nem pude me apresentar
Pois então faço isso agora. Depois que o senhor foi embora
também virei tocador.
Também sou do interior, também vim pro Sul cantar
também estranhei por cá a falta que faz o sol.
Também fiz do riso alheio, assim minha profissão
Levar alegria pro povo também é meu ganha-pão

Eu sei tudo do senhor, nem precisa me contar
Ainda ouço sua voz, todo dia sem faltar
Sei de cada história sua que ouço o povo contar

No fundo tudo o que eu quero, é um dia lhe fazer
Saber que a minha voz, que com a sua não compara
canta cada canção rara que o senhor já escreveu
e um dia, quem sabe Deus, vai me deixar cara a cara
assim, só o senhor e eu

Se onde o senhor está, for possível me ouvir
Saiba que em cada acorde, cada verso que eu cantar
o senhor vai se notar, quem sabe se divertir
com as besteiras que eu falo, e que o senhor também falava
daquele jeito que dava vontade na gente de rir

Fico feliz de pensar que Deus deve se alegrar
com a presença do senhor, contando causos, cantando
e os anjos observando, o senhor e sua dona
aquela branca em seu colo
Deus ordena que as harpas se calem imediatamente
e sentado em Sua poltrona, diminui a vozeirona
e lhe pede humildemente
me ensina a tocar sanfona?

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FICÇÃO!!

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Esta é uma história de novela. Aconteceu, mas é de novela.
Uma linda moça foi criada no interior do Paraná. Cresceu numa casa pequena e humilde, filha única de mãe solteira. Durante a infância e a adolescência ela teve um péssimo relacionamento com a mãe, que insistia em esconder da moça quem era seu pai. A moça insistia, queria saber, tinha esse direito. Quem é meu pai??
Cansada de mentiras e omissões a menina esperou completar dezoito anos e se mudou, sozinha, pro Rio de Janeiro. Não demorou a se ajeitar. Sempre bonita, começou trabalhando como secretária numa empresa de entretenimento. Os dias eram difíceis. Mas um homem, com destacada posição na firma, foi se aproximando cada vez mais da moça. Mesmo com a grande diferença de idade eles pareciam se dar muito bem. Ele a convidou pra morar em sua casa. Ela foi. Envolveram-se. E ela engravidou.
Com a novidade que trazia em sua barriga a moça reaprendeu a amar. Entendeu como se pode amar tanto um filho e resolveu perdoar sua mãe. Ligou para a senhora e, pouco antes da criança nascer, enviou uma passagem para que sua mãe pudesse vê-la naquele momento tão importante.
A história parecia caminhar para um final. Sua mãe desembarcou na cidade maravilhosa e foi direto para a casa onde a filha morava com seu companheiro, o senhor que ela aprendeu a amar e que lhe deu a oportunidade de uma nova vida. Mas algo incrível está por acontecer. Atenção!! Tensão!!
A mãe toca a campainha e é atendida pelo casal. A moça grávida, e o senhor com ar sereno. A velha se assusta. Olha para a filha, olha para o homem. Está realmente desnorteada. Não sabe o que dizer. Só pensa:
- Meu Deus!! Como ela conseguiu fisgar o Francisco Cuôco?????

Você tem a cabeça suja, maltratada pela forma como vê o mundo hoje. Ficou aí pensando bobagem. Mas eu avisei, lá no começo, que era uma história de novela…

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…DA SÉRIA SÉRIE, DEDIQUE UMA CANÇÃO A QUEM VC AMA!

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Vi meu irmãozão Rodrigo Dias dando dicas musicais – e citando minha pessoa em algumas delas – no facebook e resolvi que eu também sou capaz de influenciar pessoas. Pro bem e pro mal, claro! Aliás, meu pai me disse num dia de profundo desgosto: “Meu filho, não é que você não sirva pra nada. Você serve de mau exemplo.”

Apresentarei músicas que escuto. E explicarei porque as escuto. Música é sentimento, é instante. Critique o axé, mas naquela muvuca de carnaval, de micareta, ela é mais do que adequada. Ou você queria mesmo que o Cumpadi Washington estivesse preocupado em lhe transmitir uma mensagem que não fosse Di Di Di Di Diiiii, Eu gostcho mutcho??

Então vou começar com uma canção que talvez vocês nunca souberam que eu escuto. Sou amplamente influenciado pelo que escutei em casa. Minha mãe foi minha maior instrutora musical. Meu pai o instrutor artístico. O humor e a interpretação vieram do meu pai. A musicalidade, da minha mãe. Qualquer reclamação, tratar diretamente com eles. Só que nessa primeira música, vou inverter e citar um cantor que meu pai me ensinou a gostar: NAT KING COLE.

Nat Cole tem uma voz única. O timbre é inconfundível. Ele INVENTOU um jeito de se cantar. Foi amplamente copiado. A calma com que declama as palavras chega a ser intrigante pra alguém que tenta cantar, como eu. Sua pronúncia é perfeita e mesmo você, que ainda está no Book One do Wizard, consegue entender.

A primeira é Darling, Je vous Aime Beaucoup. Essa música é de 1935, mas Nat Cole só a gravou nos anos 50. Quando Paul McCartney escreveu Michelle, que também tinha um trecho em francês, ele citou essa música como exemplo. Achava o francês uma língua muito sonora, muito musical. A França estava na moda em 1965 quando Paul escreveu Michelle. Brigitte Bardot, Charles Aznavour etc. Mas quando indagado sobre a origem da música, Paul citou Nina Simone e Nat King Cole. Dizia que queria colocar o clima calmo e sedutor de Nat nesses acordes.

Eu confesso que amo música francesa, e vocês verão algumas delas por essas dicas que darei. Gosto de cantar em italiano porque domino a língua ( e porque sempre me rendeu bons frutos nas rodas de violão, hehe), mas o francês é ainda mais cativante. Mas não falo quase nada de francês e na única vez em que estive na frança meus parcos conhecimentos foram ofuscados pelo fedor dos ônibus e trens, fechados feito tampa de tupperware, fazendo curtir a catinga dos suvacos.
Essa música é exatamente para pessoas como eu, que sonham com uma francesa – depois do banho, claro – mas não tem a capacidade de xavecar nesse idioma. Pois Nat King Cole nos deu essa cantada de mão beijada.

http://youtu.be/weFzqO12LdE

 

 

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MEDO DE DENTISTA

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Em algumas oportunidades eu falei dos meus medos, que não são poucos. Medo de altura, medo de avião, de borboleta (eu tenho sim, e daí?), de escuro, de vikings (???), de espíritos… Mas eu tenho um medo incontrolável, e que é comum a muitos seres humanos. Medo de DENTISTA. No meu caso, DA dentista.
Minha dentista é a Verinha. Eu prefiro chamá-la de Verinha. Dra. Vera já começa a me dar arrepios. Ela foi minha coleguinha nos tempos do colégio. Estudamos juntos pro vestibular. Sempre aquela menina doce, de risada fácil. Resolveu estudar odontologia (que palavra horripilante!) e eu, jornalismo. Fomos muito grudados, viajamos juntos. Enfim, éramos muito amigos. Mas daí ela se formou e virou uma DENTISTA. Pior, a MINHA dentista. Foi o começo do fim da amizade. Eu acho que ser amigo do seu dentista é tão grave quanto se tornar próximo do seu psicólogo.
O seu dentista sabe tudo sobre você. Ele sabe o que você come, o que existe guardado e escondido dentro do seu principal canal de ligação com o mundo (considerando que o outro é só de saída!). O dentista sabe exatamente como você geme. Porque ele fica conversando com você durante a sessão, quase desconsiderando que você está de boca aberta, incapaz de produzir um som decente. Freud disse, em uma obra sobre traumas e fobias, que o dentista é um exemplo da capacidade humana de fazer o outro sofrer. E que a máscara que lhe cobre a boca é pra que não vejamos o sorriso constante do sádico. Não, Freud não disse nada disso. Mas bem que poderia ter falado, né?! Vai dizer que você não acreditou?
Eu falo, obviamente, brincando. Nosso medo de dentista é – quase sempre – infundado. A tecnologia médica e odontológica tornou qualquer tratamento dentário em um ritual só de paciência e não de tortura. O que dói, dói muito pouco. Abdominais na academia são bem mais doloridos. Mas o mito do dentista carrasco prevalece. Desde criança somos colocados na cadeira reclinante, já imaginando que aquele que nos pede pra abrir a boca é o mais próximo que conheceremos do bicho-papão. É um mito criado, não pelo cinema, ou pela literatura, mas por um único som. O do motorzinho. Eu sempre vejo que a ciência cria novas curas, novas medicinas, ultrasom, genoma humano. Então porque ninguém gasta um tempinho inventando um escapamento pra aquele motor? Surtiria um efeito tão anestesiante quanto a própria anestesia. Eu, que sou músico, pesquisei e descobri que aquele motorzinho entoa um mi bemol, que é a nota musical menos apreciada pelo ouvido humano. Taí mais uma informação completamente sem fundamento e verdade, mas que deixa o texto da gente rico, deixa né?!
O meu caso é ainda mais ridículo. A Verinha é odontopediatra. Eu sou o único adulto que ela atende. Não bastasse o meu suor frio escorrendo pela testa enquanto ela me atende, delicada como sempre, eu tenho a impressão que ela fica com pena de ver aquele marmanjo, quase deitado, de boca aberta e perninha cruzada (???). Sem contar que não é simplesmente uma boca aberta. É escancarada! Não se conquista a simpatia de ninguém mostrando a gengiva e o tártaro. Mas nada se compara à sala de espera. Crianças brincando, lendo o Chico Bento, bebês sorrindo nos colos gostosos de suas mães. E eu roendo as unhas. Na última vez, uma mãe me viu e disse pra eu não me preocupar, porque meu filho não ia sentir dor. Nem filho eu tenho!
Minha última dica aos dentistas. Por excesso de pessoas que tem medo de avião, criaram a aeromoça. Sempre bonita, com aquela cara de “Nunca me pegarás!”, mas com o papel claro de distrair o medroso. Eu sugiro que vocês contratem auxiliares gostosas e instituam o decote como uniforme. E que ordenem que elas fiquem no nosso raio de visão durante todo o tempo, ou emprestem um espelhinho daqueles que vocês usam pra ver o último molar. Mudaria todo o sentido do tratamento. Eu esperaria com mais tranquilidade o dia de visitar vocês. Passaria um perfume, e, garanto, escovaria melhor meus dentes, sempre. E ainda trocaríamos o insuportável “Pode cuspir!” por um malicioso “Pode babar!”.

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Meninos de Kichute e memórias…

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Acabei de ler o livro Meninos de Kichute de autoria do amigo e humorista Márcio Américo. Não vou fazer uma análise do livro, até porque eu não tenho capacidade pra isso. Mas quem é homem, tem mais de 30 e teve um kichute, deve ler esse livro. Deliciosamente nostálgico e capaz de nos transportar de volta a um tempo em que nossa maior preocupação era encontrar a figurinha do Falcão. Eu adoro ter sensações de lembrança, da boa saudade que dá da nossa infância. Na maioria das vezes isso nos ocorre através de um cheiro ou de uma música. Então resolvi citar três memórias que me vieram enquanto eu lia o livro e que há muito não me recordava.

1. O cheiro de bola nova. Meus pais não tinham grana pra comprar  bola de “capotão” que era de couro, então me davam uma bola de borracha, muito boa, que se chamava Dente-de-Leite. Era mais pesada que as bolas de borracha fina e, se não me engano, era da marca ESTRELA, mas logo o desenho da bola sumia. Ela ficava com a cor da borracha mesmo, e quando eu jogava na terra, depois lavava a bola. Acreditem, eu era chique na minha rua porque minha bola era Dente-de-Leite. Jogava bastante na rua, com dois golzinhos feitos de chinelo havaiana. O travessão era imaginário e utilizava-se a regra do bom senso. A área era demarcada com risco de gesso ou tijolo de alguma contrução vizinha. Mas sobretudo gostava de jogar em casa, sozinho. Imitando meus ídolos. Eu fui o Zico, fui o Sócrates. Quando eu errava um passe eu era o Cerezo. Mas bom mesmo era quando eu era o Fillol. O Fillol foi um goleiro argentino que jogou no Flamengo, diziam ser melhor que o Raul. Eu espalmava a bola e gritava Fillooooooool!! Eu jogava no quintal de casa que era de blocos de pedra. Horas a fio. Só parava quando minha mãe dizia que estava começando o Spectreman. Por vezes eu tinha preguiça de colocar o kichute, ou a conga. E Deus me punia tirando um tampão do meu dedão, no primeiro chute no chão.

2. Cheiro do meu vô de tardezinha. Explico melhor. Meu avô sofreu um acidente e perdeu parte dos sentidos. Ficou surdo de um ouvido e não sentia mais cheiro (falando assim, parece que ele não sentia cheiro PORQUE ficou surdo de um ouvido, né. Ah, mas vocês entenderam). Vaidoso como todo bom italiano, ele morria de medo de feder. Então, depois de trabalhar na horta que tinha em casa, ele tirava os chinelos de horta (sim, ele tinha um par de chinelos velhos exclusivos pra andar na horta. E ai dele, se ele entrasse com os pés sujos em casa!), tomava banho e depois exagerava no desodorante. Ele usava um desodorante de bisnaga verde. Brut seiquelá… A casa ganhava esse cheiro, a rua ganhava esse cheiro, o mundo ganhava esse cheiro. O MEU mundo, pelo menos.

3. Cheiro de Natal. Eu tenho esse cheiro muito bem guardado aqui no meu nariz. O nariz é grande, e o cheiro deve tá lá no meio, perdido. Mas tá aqui. Não vou saber explicar direito, é uma mistura de pernil e bola de árvore de natal. Era a única época do ano em que a gente comia uva e ganhava presente. Não existia presente em outra época do ano então a gente esperava ansiosamente pelo que apareceria trazido pelo Papai Noel. Depois que me contaram que papai noel não existia e que quem me dava o presente era meu pai, eu passei o ano todo procurando no guarda roupa dele a fantasia e o gorro vermelhos. Só achei o cinto  preto largo, no armário da minha mãe. Que tonto!

Mas agradeço muito ao Márcio Américo, por ter me dado horas deliciosas de leitura, e me trazido de volta lembranças guardadas lá no porão da memória.

http://www.facebook.com/marcioamerico

 

 

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AS MÚSICAS (A Música doo Pedreiro)

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Esta é a lista com os nomes – provisórios – das 12 músicas que formarão nosso CD:

- Eu sou Pedreiro (Fabiano Cambota)

- O amor não escolhe profissão (Fabiano Cambota/ Gus Fernandes)

- Que você se… (Fabiano Cambota/ Gus Fernandes)

- Me provoca (Fabiano Cambota/ Gus Fernandes)

- A banda do Meio do Mato (Fabiano Cambota)

- Libertas Quae sera Tamem (Fabiano Cambota/ Thales Augusto)

- Funcionário do Mês (Fabiano Cambota/ Thales Augusto)

- Tentação (Fabiano Cambota/ Thales Augusto)

- Ela Traiu o Rock n Roll (Fabiano Cambota/ Danilo Gentili)

- Recuso (Lá lá lá) (Fabiano Cambota)

- Confesso eu sou Cafajeste (Fabiano Cambota/ Thales Augusto)

- Se essa culpa fosse minha (vida de músico) (Fabiano Cambota)

Vou falar de cada uma delas separadamente em posts…e começarei pela música Eu Sou Pedreiro.

Quem gosta do Chiclete com Banana é chicleteiro. Quem gosta do Pedra Letícia é pedreiro. Rs. Foi com essa frase na cabeça que pensei em escrever uma música com cantadas baratas e um refrão bem doce. Ano passado eu morei um tempo na casa do Gus Fernandes e escrevemos algumas músicas juntos. Num dia, porém, ele estava assistindo tv e falei dessa idéia pra ele. Fui pra sacada e fiquei cantarolando algo que parecia o refrão. Escrevi o refrão e achei que ficou do jeito que eu queria. Mas a primeira parte e a segunda não estavam me satisfazendo. Coloquei a idéia na gaveta pra aproveitar depois. Pedi ajuda de amigos. Murilo Gun, Rodrigo fernandes (Jacaré Banguela), Vitor Sarro. Mas depois pensei que eu queria cantadas originais que ninguém tivesse dito ainda pela internet. Foi a penúltima música que apresentei pro disco. Já estávamos ensaiando, bolando um arranjo em estúdio e a letra não estava pronta. Escrevi o resto numa noite, depois de ouvir uma bronca enorme por estar sendo improdutivo (bronca que fazia todo o sentido, aliás!). Só que nessa mesma noite, uma menina havia me adicionado no MSN. Ela foi categórica. “Sou uma pessoa caridosa. Quero dar pra você!”. Adorei a atitude, mas a cantada foi péssima. kkk Adorei mais ainda! Ri muito dessa situação e ela, sem saber, foi me dando inspiração pra escrever as tais cantadas fuleiras que eu pretendia.

Música pronta. Chamei meu irmão (o mesmo que me deu a bronca, aff! rs) pela webcam pra mostrar a música ao violão. Ele me ajudou consertando algumas frases. Como eu ia viajar no dia seguinte, mandei por email a letra pros meninos da banda escutarem. Houve um ensaio sem mim e eles fizeram uma reunião pra estudar e discutir a letra. Acharam que era uma viagem. Nonsense. Mas muito legal!! Todos adoraram.

Eu acredito ser essa uma das músicas mais pop do cd. O Refrão é fácil, ela é toda alto astral, com um clima cinicamente romântico. Eu apostaria nela pra primeira música de rádio. Mas vocês que vão mandar.

Pra não ser injusto e cruel vou deixar uns trechinhos da letra:
…Baby, sou um pedreiro parente. Se for pra você, minha obra é prima.

…Baby, meu mapa de pirata tem um X em você, que é meu tesouro.

…Sou o Pedreiro que sua obra necessita. Me deixa ser a tampa da sua marmita. Vamos sair, tomar um chopp, um banho quentinho. Vem por a sua areia no meu caminhãozinho.

É isso aí!!

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O NOVO CD…PARTE 1.

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Eu considero que este seja o nosso segundo cd. Acabou criando uma discussão entre Nós. Mas eu não considero o cd ao vivo, uma vez que ele nunca foi lançado. Então começo a explicar o segundo cd. Também não adianta me perguntarem quando ele vai sair porque não posso precisar essa data. Mas acredito que seja em pouco mais de 2 meses. Serão 12 músicas. Os que já conhecem a banda irão reconhecer duas músicas: Funcionário do mês e Libertas quae sera tamem. São duas composições minhas em parceria com o Thales Augusto, um amigo, médico, goiano e cabeça boa. As outras dez, acredito que poucos já tenham ouvido um trecho que devo ter tocado em chats, mas com certeza serão dez novidades. As duas citadas a gente decidiu colocar no cd, uma vez que a gravação ao vivo não foi lançada e queríamos uma versão de estúdio, bem tocada, bem gravada.
Eu vou escrever, com o passar dos dias, 12 posts no blog. Um sobre cada música. Explicando como foram escritas e seus assuntos. To pensando ainda se vou colocar a letra por aqui. A musica mesmo só vai dar pra ouvir quando o cd sair. Mas garanto. TÁ FODA!! Eu sei, eu sou suspeito pra dizer né. Mas sinceramente, TÁ FODA!!

Por enquanto deixa eu explicar que pela primeira vez tivemos tempo, paciência e empenho em ensaiar todos os arranjos milhões de vezes antes de entrarmos pro estúdio. Arranjos pensados, repensados, repisados. E descobrimos que é uma delícia fazer isso. Nunca estivemos tão próximos, tão unidos e tão empolgados. Eu não sei se eu já disse isso, mas o novo cd TÁ FODA!!

Tivemos também a chance de escolher um produtor e, não a toa, escolhemos logo o melhor: Tadeu Patolla. Eu não o conhecia, mas o Kuky já tinha seu contato. Ele assistiu alguns ensaios, ouviu cada música e só depois começou a modificar. Gente finíssima, o Tadeu já entrou no clima quase infantil que tomou os ensaios. Pra começar, ninguém conseguia dizer Patolla. Ele foi Tadeu Partoba, Tadeu Pitchula, Tadeu Patchuca, Tadeu Peteca..tudo, menos Patolla. Posso estar errado, mas acho que ele também se apaixonou pelas músicas…e por nós OWNNNN!  Ele garantiu que o cd vai ficar FODA!!

Enfim, serão 11 músicas bem humoradas e uma bonitinha. Depois explico isso melhor. Cada música um universo. Cada canção uma história, uma crítica, uma bobagem.  Quatro músicas em parceria com o Thales, três em parceria com meu irmãozaço, o humorista Gus Fernandes (que também nos “emprestou” o nome do disco), uma com o Danilo Gentili e quatro que escrevi sozinho (tá certa a conta??).

Pra começar a conversa, digo que foram várias as referências musicais. A mais óbvia e primitiva é a dos Beatles. Simplicidade, bom humor e alto astral. Segue um vídeo só pra ilustrar o que eu digo: http://youtu.be/7qAz1pGMIUA

E esse será o nosso filho: PEDRA LETÍCIA COM O CANDELABRO NA SALA DE ESTAR
Eu não sei se já disse isso, mas juro: Tá FODA!!!!

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COMO SE LIVRAR DE UM AMIGO CHATO…E INTELECTUAL!

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COMO SE LIVRAR DE CHATO INTELECTUALEu cursei algumas faculdades públicas, sempre convivi no meio “alternativo” da noite, e sempre gostei de filmes iranianos. Mas eu confesso que acho complicado aturar chatos intelectualóides que, de um modo bastante presunçoso, acham que aqueles que não admiram Glauber Rocha e Pasolini deviam queimar no fogo do inferno, de Dante.Crio agora um pequeno manual de ajuda aos que gostariam de dispensar programas de índio em prol da cultura inútil e do besteirol puro:Caso 1: Seu amigo chato intelectual te convida pra um sarau- E aí, companheiro! Hoje vai ter sarau de poesia neo-concreta com exposição de quadros pintados com urucum. Vai ser lá na casa de arte “Mártires da repressão”. Toda a galera inteligente e antenada contra essa política liberal-opressiva vai estar lá. Vamos?- Pois é, Ernesto. Você sabe que gosto muito de valorizar produtos genuinamente nacionais, sem ufanismo barato, mas com o resgate das raízes afro e do passado escravagista brasileiro. Sabia que os escravos transformaram a polca e a valsa européias num novo ritmo frenético que passou a embalar os encontros miscigenados?  Misturando tambores africanos, instrumentos melódicos oriundos da cítara e do cravo, e alternando o tambourine para um novo modo de se tocar, com a base na mão direita, inventaram o pandeiro. Com o resto da carne de porco que lhes eram entregues, acabaram por criar um novo e apetitoso prato. É com base nessa retomada do nacionalismo que eu vou à feijoada com pagode do Neneca. Lamento não poder ir ao sarau, mas combinei com o Jaú, o Xumbinha, o Beto voz de pato e o Soares, e você sabe né, tudo pelo Brasil.Caso 2: seu amigo chato intelectual te chama pra assistir um filme do Godard- E aí, companheiro! Hoje vamos à casa da Irene fazer uma sessão Jean-Luc Godard. Não serão só filmes dele, mas também de seus seguidores. Estamos programando 18 horas de cinema de qualidade. Nenhum tiro, mas pura revolução. Toda a galera inteligente e antenada contra essa política liberal-opressiva vai estar lá. Vamos?- Pois é, Ernesto. Você sabe que essa nova onda de retomada da cultura imperialista norte-americana, com base na trégua que demos com a eleição do Obama, não tem me agradado muito né. Apesar de não achar que ele seja absurdo como o Bushinho, ainda estou esperando pra ver melhor qual é a desse cara. Por enquanto faço minha parte apoiando aqueles que são oprimidos mais de perto por essa política ianque. Tenho pesquisado bastante sobre o México, seu passado principalmente. E mantenho firme minha posição de ataque às culturas internacionais impostas. Lá eles produziram durante a década de 70, programas radicalmente nacionais, esnobando a estrutura e o derramamento inútil de dólares hollywoodianos. Efeitos especiais caseiros que, com um pouco de boa vontade, pareciam reais. O roteiro é maravilhoso, expondo problemas nacionais, tocando na ferida sem medo. A série se passa numa vila, com várias famílias convivendo e tendo que aturar-se envoltos em problemas financeiros. O protagonista é um garoto órfão que a cada problema se esconde num barril. Olha que sacada isso! Representando o imperialismo do Tio Sam, há um senhor gordo que cobra os aluguéis mas não providencia quaisquer melhorias aos moradores. E em especial há um senhor anárquico que se nega a pagar os últimos 14 aluguéis, assim como se permite viver sem trabalhar. Um dia te mostro esse seriado com mais calma…deixa eu ir, que se trata de uma pesquisa importante.caso 3: Seu chato intelectual te chama pra participar de uma manifestação em favor da demarcação de terras dos índios Capacôco na divisa do Acre com a Bolívia.- E aí, companheiro! Estamos organizando uma passeata com nariz de palhaço em frente à sede da Funai. Esse governo não entende que os índios são nossos pais, avós. Que eles também têm direito à terra. Aliás, a terra é deles!- Pois é Ernesto. Eu queria muito ir, mas exatamente hoje estou com um trabalho voluntário. Você sabe que prezo muito pelas minorias e as mulheres estão sendo mal tratadas, humilhadas e, até mesmo, espancadas. Junto com minha companheira estamos dedicando um ato de amor contra essa realidade. Acho que se cada um de nós aprender a fazer sua parte, como tratar bem uma mulher, o mundo há de se tornar um bom lugar pra viver. Nossa pequena manifestação particular será num ambiente menor, com relexores verticais e horizontais, música propícia para o ato, e extenuante tarefa física. Não vou te convidar porque acho que cada um deve contribuir a seu modo, e o meu é só com ela.Caso 4: Seu amigo chato intelectual te convida pra ir ao show do Tom Zé, no Campus- e aí companheiro! Hoje reuniremos todos os companheiros a fim de assistir a um espetáculo de música e de poesia. Tom Zé vai estar no campus pra um show que pretende abrir os olhos dos jovens, pretende mostrar a capacidade de fusão da música brasileira, pretende mostrar a amplitude de possibilidades da poesia, pretende destravar o jovem da repressão musical imposta por rádios e tvs, pretende informar, pretende libertar, pretende bastante coisa. Enfim, é um show bastante pretensioso.- Pois é Ernesto! Eu até queria ir, mas tenho outro show. Na verdade esse show que eu vou só pretende divertir. Mas isso é o que pensam os nobres músicos. Você sabe que prezo pelas minorias, e estou farto de canções embaladas pela beleza esquelética imposta pelas passarelas. Pois essa banda transgride ao cantar uma ode à feiura. Defendem a união civil homossexual, contestam a vertente musical sertaneja imposta como estigma ao centro-oeste brasileiro. São tantas as poesias transgressoras que me perderia em tecer elogios. Só há um problema pra nós, companheiro: Eles não tocam Raul!23.04.2009
COMO SE LIVRAR DE CHATO INTELECTUAL

Eu cursei algumas faculdades públicas, sempre convivi no meio “alternativo” da noite, e sempre gostei de filmes iranianos. Mas eu confesso que acho complicado aturar chatos intelectualóides que, de um modo bastante presunçoso, acham que aqueles que não admiram Glauber Rocha e Pasolini deviam queimar no fogo do inferno, de Dante.

Crio agora um pequeno manual de ajuda aos que gostariam de dispensar programas de índio em prol da cultura inútil e do besteirol puro:

Caso 1: Seu amigo chato intelectual te convida pra um sarau

- E aí, companheiro! Hoje vai ter sarau de poesia neo-concreta com exposição de quadros pintados com urucum. Vai ser lá na casa de arte “Mártires da repressão”. Toda a galera inteligente e antenada contra essa política liberal-opressiva vai estar lá. Vamos?

- Pois é, Ernesto. Você sabe que gosto muito de valorizar produtos genuinamente nacionais, sem ufanismo barato, mas com o resgate das raízes afro e do passado escravagista brasileiro. Sabia que os escravos transformaram a polca e a valsa européias num novo ritmo frenético que passou a embalar os encontros miscigenados?  Misturando tambores africanos, instrumentos melódicos oriundos da cítara e do cravo, e alternando o tambourine para um novo modo de se tocar, com a base na mão direita, inventaram o pandeiro. Com o resto da carne de porco que lhes eram entregues, acabaram por criar um novo e apetitoso prato. É com base nessa retomada do nacionalismo que eu vou à feijoada com pagode do Neneca. Lamento não poder ir ao sarau, mas combinei com o Jaú, o Xumbinha, o Beto voz de pato e o Soares, e você sabe né, tudo pelo Brasil.

Caso 2: seu amigo chato intelectual te chama pra assistir um filme do Godard

- E aí, companheiro! Hoje vamos à casa da Irene fazer uma sessão Jean-Luc Godard. Não serão só filmes dele, mas também de seus seguidores. Estamos programando 18 horas de cinema de qualidade. Nenhum tiro, mas pura revolução. Toda a galera inteligente e antenada contra essa política liberal-opressiva vai estar lá. Vamos?

- Pois é, Ernesto. Você sabe que essa nova onda de retomada da cultura imperialista norte-americana, com base na trégua que demos com a eleição do Obama, não tem me agradado muito né. Apesar de não achar que ele seja absurdo como o Bushinho, ainda estou esperando pra ver melhor qual é a desse cara. Por enquanto faço minha parte apoiando aqueles que são oprimidos mais de perto por essa política ianque. Tenho pesquisado bastante sobre o México, seu passado principalmente. E mantenho firme minha posição de ataque às culturas internacionais impostas. Lá eles produziram durante a década de 70, programas radicalmente nacionais, esnobando a estrutura e o derramamento inútil de dólares hollywoodianos. Efeitos especiais caseiros que, com um pouco de boa vontade, pareciam reais. O roteiro é maravilhoso, expondo problemas nacionais, tocando na ferida sem medo. A série se passa numa vila, com várias famílias convivendo e tendo que aturar-se envoltos em problemas financeiros. O protagonista é um garoto órfão que a cada problema se esconde num barril. Olha que sacada isso! Representando o imperialismo do Tio Sam, há um senhor gordo que cobra os aluguéis mas não providencia quaisquer melhorias aos moradores. E em especial há um senhor anárquico que se nega a pagar os últimos 14 aluguéis, assim como se permite viver sem trabalhar. Um dia te mostro esse seriado com mais calma…deixa eu ir, que se trata de uma pesquisa importante.

caso 3: Seu chato intelectual te chama pra participar de uma manifestação em favor da demarcação de terras dos índios Capacôco na divisa do Acre com a Bolívia.

- E aí, companheiro! Estamos organizando uma passeata com nariz de palhaço em frente à sede da Funai. Esse governo não entende que os índios são nossos pais, avós. Que eles também têm direito à terra. Aliás, a terra é deles!

- Pois é Ernesto. Eu queria muito ir, mas exatamente hoje estou com um trabalho voluntário. Você sabe que prezo muito pelas minorias e as mulheres estão sendo mal tratadas, humilhadas e, até mesmo, espancadas. Junto com minha companheira estamos dedicando um ato de amor contra essa realidade. Acho que se cada um de nós aprender a fazer sua parte, como tratar bem uma mulher, o mundo há de se tornar um bom lugar pra viver. Nossa pequena manifestação particular será num ambiente menor, com relexores verticais e horizontais, música propícia para o ato, e extenuante tarefa física. Não vou te convidar porque acho que cada um deve contribuir a seu modo, e o meu é só com ela.

Caso 4: Seu amigo chato intelectual te convida pra ir ao show do Tom Zé, no Campus

- e aí companheiro! Hoje reuniremos todos os companheiros a fim de assistir a um espetáculo de música e de poesia. Tom Zé vai estar no campus pra um show que pretende abrir os olhos dos jovens, pretende mostrar a capacidade de fusão da música brasileira, pretende mostrar a amplitude de possibilidades da poesia, pretende destravar o jovem da repressão musical imposta por rádios e tvs, pretende informar, pretende libertar, pretende bastante coisa. Enfim, é um show bastante pretensioso.

- Pois é Ernesto! Eu até queria ir, mas tenho outro show. Na verdade esse show que eu vou só pretende divertir. Mas isso é o que pensam os nobres músicos. Você sabe que prezo pelas minorias, e estou farto de canções embaladas pela beleza esquelética imposta pelas passarelas. Pois essa banda transgride ao cantar uma ode à feiura. Defendem a união civil homossexual, contestam a vertente musical sertaneja imposta como estigma ao centro-oeste brasileiro. São tantas as poesias transgressoras que me perderia em tecer elogios. Só há um problema pra nós, companheiro: Eles não tocam Raul!

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