Acabei de ler o livro Meninos de Kichute de autoria do amigo e humorista Márcio Américo. Não vou fazer uma análise do livro, até porque eu não tenho capacidade pra isso. Mas quem é homem, tem mais de 30 e teve um kichute, deve ler esse livro. Deliciosamente nostálgico e capaz de nos transportar de volta a um tempo em que nossa maior preocupação era encontrar a figurinha do Falcão. Eu adoro ter sensações de lembrança, da boa saudade que dá da nossa infância. Na maioria das vezes isso nos ocorre através de um cheiro ou de uma música. Então resolvi citar três memórias que me vieram enquanto eu lia o livro e que há muito não me recordava.
1. O cheiro de bola nova. Meus pais não tinham grana pra comprar bola de “capotão” que era de couro, então me davam uma bola de borracha, muito boa, que se chamava Dente-de-Leite. Era mais pesada que as bolas de borracha fina e, se não me engano, era da marca ESTRELA, mas logo o desenho da bola sumia. Ela ficava com a cor da borracha mesmo, e quando eu jogava na terra, depois lavava a bola. Acreditem, eu era chique na minha rua porque minha bola era Dente-de-Leite. Jogava bastante na rua, com dois golzinhos feitos de chinelo havaiana. O travessão era imaginário e utilizava-se a regra do bom senso. A área era demarcada com risco de gesso ou tijolo de alguma contrução vizinha. Mas sobretudo gostava de jogar em casa, sozinho. Imitando meus ídolos. Eu fui o Zico, fui o Sócrates. Quando eu errava um passe eu era o Cerezo. Mas bom mesmo era quando eu era o Fillol. O Fillol foi um goleiro argentino que jogou no Flamengo, diziam ser melhor que o Raul. Eu espalmava a bola e gritava Fillooooooool!! Eu jogava no quintal de casa que era de blocos de pedra. Horas a fio. Só parava quando minha mãe dizia que estava começando o Spectreman. Por vezes eu tinha preguiça de colocar o kichute, ou a conga. E Deus me punia tirando um tampão do meu dedão, no primeiro chute no chão.
2. Cheiro do meu vô de tardezinha. Explico melhor. Meu avô sofreu um acidente e perdeu parte dos sentidos. Ficou surdo de um ouvido e não sentia mais cheiro (falando assim, parece que ele não sentia cheiro PORQUE ficou surdo de um ouvido, né. Ah, mas vocês entenderam). Vaidoso como todo bom italiano, ele morria de medo de feder. Então, depois de trabalhar na horta que tinha em casa, ele tirava os chinelos de horta (sim, ele tinha um par de chinelos velhos exclusivos pra andar na horta. E ai dele, se ele entrasse com os pés sujos em casa!), tomava banho e depois exagerava no desodorante. Ele usava um desodorante de bisnaga verde. Brut seiquelá… A casa ganhava esse cheiro, a rua ganhava esse cheiro, o mundo ganhava esse cheiro. O MEU mundo, pelo menos.
3. Cheiro de Natal. Eu tenho esse cheiro muito bem guardado aqui no meu nariz. O nariz é grande, e o cheiro deve tá lá no meio, perdido. Mas tá aqui. Não vou saber explicar direito, é uma mistura de pernil e bola de árvore de natal. Era a única época do ano em que a gente comia uva e ganhava presente. Não existia presente em outra época do ano então a gente esperava ansiosamente pelo que apareceria trazido pelo Papai Noel. Depois que me contaram que papai noel não existia e que quem me dava o presente era meu pai, eu passei o ano todo procurando no guarda roupa dele a fantasia e o gorro vermelhos. Só achei o cinto preto largo, no armário da minha mãe. Que tonto!
Mas agradeço muito ao Márcio Américo, por ter me dado horas deliciosas de leitura, e me trazido de volta lembranças guardadas lá no porão da memória.
http://www.facebook.com/marcioamerico
Lendo essa sua postagem Cambota, dei uma viajada ate o passado tambem, de jogar bola na rua de terra, os gols feitos com chinelos Havaianas, passar as tardes vendo Spectreman, usar Kichute ou conga, as noites de natal quando colocava minha roupa nova, minha mãe comprava a roupa e o tenis novo uns 2 meses antes do natal e dizia: “deixa tudo guardado, é pra usar só no natal” rsrsrs…ficava ancioso esperando a chegada do bom velhinho, bons tempos, hoje em dia, vejo meu filho, ainda com 8 meses e fico pensando: Que infacia meu filho vai ter? Celular no lugar de bolinhas de gude, playstation no lugar de rodar pião na terra, computador no lugar de brincar de esconde-esconde, queria muito que ele pudesse aproveitar tudo que aproveitei na infacia que não tinha nada disso, mas o tempo muda, temos que nos adequar a realidade de hj em dia, abraços meu camarada…
Obrigado!
A sua memória 1 é, poderia dizer, exatamente o que há na minha …
Vou ler…morrendo de saudade dos velhos e bons(excelentes) tempos.
Abç
Nossa, eu até chorei! E repare q eu sou menina!!!! MAs me lembro dos meus primos brincando de bola. Meus primos tinham uma bola dessas e eu e minha irmã também jogávamos futebol com eles, hehehe. Ah, eu tive uma conga. Não sei se na sua escola também o uniforme era conga. Tb sou de Goiânia!!!
(suspiro)
Obrigada!
Dei risada larga e até me emocionei agora! Foi o seu texto q me remeteu prá minha infância: eu não jogava bola , mas vivia sem a tampa do dedão, meu avô tinha um cheiro só dele tbm (sdd) e meu natal ainda cheira bolo da castanhas!
Sem mais, só queria agradecer msm!
bjin
adorei esse livro vo ate le de novo ..
adorei o livro vo ate le de nv bjs
Maravilhosos kichutes eram proibidos nas aulas de educação fisíca por riscar demais as quadras, sem contar o chulé. Bastava usar uma ou duas vezes sem meia, ja era dava pra sentir de longe. Mais nunca deixei de usa-los, sempre que tinha um evento la estavam eles amarrados nas canelas. Bons tempos que não voltam mais.
Engraçado tem cheiros da infância que fica junto com a gente …
sei lá não dá para explicar…
sinto o cheiro da minha lancheira até hj..
cheiro da casa da vó…
estranho mais simplesmente lindo…!
a vida passa muito rápido …temos que aproveitar e curtir cada segundo como único…
Abraço querido..